Aumento da dívida mostra que Prefeitura não corta gastos mesmo sem ICMS “a mais”

02/jun 04:33

Por Les Partisans

Como você leu nas páginas da Tribuna, a Secretaria de Fazenda admitiu, ao prestar contas dos primeiros quatro meses do ano, que a dívida consolidada do município cresceu 21,2%. O dado transforma em número o que os petropolitanos têm sentido e cobrado do governo municipal: mesmo no cheque especial pela perda do ICMS a mais e sem previsão de recuperar esse dinheiro, a atual gestão da Prefeitura ou não fez um corte de gastos efetivo na máquina pública. O prefeito Hingo Hammes até publicou um decreto de calamidade pública financeira e criou comitê para analisar as medidas anti-crise. Mas a gente não viu, até agora, uma grande medida de austeridade e nem sabe qual a avaliação desse comitê. O único sinal que o petropolitano sente é a falta de serviços públicos efetivos na ponta, incluindo questões básicas, como a coleta do lixo, a iluminação pública e a grande quantidade de buracos nas ruas.

Erros do passado e novos equívocos contribuem para município atolar

O aumento da dívida, o não pagamento de fornecedores e a má qualidade de diversos serviços públicos são fatores que explicam a grande rejeição que o governo municipal enfrenta hoje. Uma das causas está na repetição dos erros do passado. O próprio grupo de Hingo Hammes criticou a gestão Bomtempo por considerar irresponsável o gasto do ICMS “a mais” em tempos de bonança mas, confiando na reversão do quadro com uma canetada do ex-governador Cláudio Castro, não pensou em um plano B caso a situação não se resolvesse – como não se resolveu. Por outro lado, contratos que também foram muito questionados na gestão anterior pela sua modelagem, como o da coleta do lixo e o dos terceirizados da Educação, foram mantidos, enquanto uma nova licitação, com outra modelagem, poderia render maior economia e eficiência.

Quando o medíocre vira extraordinário

Um Partisans preocupado com o empobrecimento da cidade e perplexo com a liberação para a construção de prédios residenciais na Montreal constatou. O empreendimento é destinado para quem tem renda familiar a partir de R$ 4,8 mil – a partir de três salários mínimos. Só que a renda média do petropolitano é de R$ 3,7 mil. Ou seja: o conjunto habitacional, por um lado, não cumpre a função de habitação popular. Mas também não é de luxo. Só que, como a cidade empobreceu muito em 30 anos, não vai atingir a maioria da população.

Vamos fugir

A gente falou que o terreno onde vai ser construído um condomínio habitacional em Corrêas poderia ser um parque alagável ou uma solução pra mobilidade. Mas, com o Estação Veneza, opa, quer dizer, Estação Montreal, moradores já compraram passagem para passar uns dias na Ilha de Marajó para se habituar à nova realidade que ameaça bater à porta e ver quanto custa um barquinho.

Partisans pegam no pé, mas a gente também fazem questão de elogiar ações bacaninhas, como a homenagem e reunião que a Comdep fez para celebrar o dia da imprensa, celebrado nesta segunda-feira. O evento foi idealizado pela presidente da Companhia, Fernanda Ferreira, que também é jornalista de profissão. O legal é que, além da homenagem, também foi uma oportunidade para os coleguinhas conversarem, tirarem dúvidas e dialogarem sobre os serviços da empresa.

Tinta carregada

E continua com força total o festival de exonerações promovido pelo governador em exercício Ricardo Couto. No Diário Oficial de ontem, saiu mais uma leva que atingiu diretamente o ex-secretário estadual de Meio Ambiente, Bernardo Rossi. Entre as demissões, estão a de Rodriguinho Bueno, suplente de vereador e Roberto Júnior “Fera”, fieis escudeiros de Bernardo; além de Elias Montes, ex-bolsonarista, ex-candidato a prefeito e ex-secretário de Bomtempo, que embarcou no time de Bernardo para as eleições deste ano.

Toco y me voy

Falando em exoneração, Ranilton Afonso de Araújo pediu pra sair e não é mais o diretor financeiro do Sehac. A saída de fininho se deu após o vereador Léo França denunciar – e o Ministério Público constatar – conflito de interesse na presença de Ranilton no Serviço Autônomo do Alcides Carneiro, já que ele é dono de empresa que faz terceirizações justamente na área da Saúde.

Justificativa

Na sua carta de desligamento, Ranilton diz que “a decisão decorre da necessidade de resguardar a plena lisura, transparência e integridade institucional diante dos questionamentos, embora tal circunstância jamais tenha conflitado com o cargo exercido”. A questão estava judicializada e a carta de demissão precisou ser apensada ao processo que discute a contratação. E assim seguimos: zero dia sem tretas!

Acabou o milho, acabou a pipoca

A coisa tá feia mesmo para Cláudio Castro. O ex-governador está inelegível, sofreu duas operações recentes de busca e apreensão, teve que desistir de ser candidato ao Senado para “focar na sua defesa”, e agora… Ainda terá que se defender da rejeição de suas contas pelos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. Entre os rolos, estão os aportes bilionários do Rioprevidência (em bom português, o suado dinheirinho que os servidores aposentados do Estado pouparam a vida inteira) no Banco Master de Daniel Vorcaro.

Esquerda (quase toda) unida

Lívia Miranda comemorou seu aniversário, na última sexta e, se “todo ato é político”, como o povo mais à canhota gosta de dizer, a vereadora conseguiu reunir nomes importantes da esquerda. Lívia é hoje uma das principais estrelas do PCdoB a nível estadual e conseguiu trazer Elias Jabbour e Jandira Feghali, pré-candidatos a deputado federal, além de Márcio Ayer, que tenta ser candidato a Senador pelo partido, além de nomes como o presidente do PSB local, Marcus São Thiago.

Contatos com a coluna: [email protected].

Fonte Tribuna de Petrópolis

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