16/maio 19:47
Por Wellington Daniel |Tribuna de Petrópolis
O novo estado de greve decretado pelos rodoviários da Turp voltou a pressionar a Prefeitura de Petrópolis sobre o Plano de Contingência prometido como solução para o transporte público. Apesar de a CPTrans afirmar, desde junho de 2025, que trabalha em medidas para reorganizar o sistema, o governo municipal ainda não informou quais etapas já avançaram e alguns prazos já estão vencidos. Na terça-feira (19), os funcionários da viação podem realizar a sexta paralisação em menos de um ano.
Enquanto o Plano de Contingência para todo o sistema não avança, o governo tenta outras medidas para melhorar a prestação do serviço. Em audiência judicial no fim de abril, a companhia informou que avalia medidas mais severas diante da situação da viação, como intervenção administrativa, caducidade do contrato e até mesmo contratos emergenciais com empresas de fora do atual sistema municipal.
Na manhã deste sábado (16), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis (SindRodoviários) informou que a categoria deliberou estado de greve na empresa Turp Transportes. Segundo a entidade, a paralisação poderá começar à 00h01 da próxima terça-feira (19), caso o pagamento do vale-alimentação não seja regularizado pela empresa.
Este é o terceiro estado de greve registrado em pouco mais de um mês. No início de abril e também no começo de maio, os trabalhadores chegaram a anunciar possibilidade de paralisação, mas os serviços foram mantidos após a regularização das pendências trabalhistas. Já no dia 22 de abril, os rodoviários iniciaram a quinta greve em menos de um ano no transporte público de Petrópolis. A paralisação durou até a manhã do dia 27 de abril.
Diante do novo impasse, a reportagem questionou a Prefeitura sobre quais medidas estão sendo adotadas para garantir a continuidade, qualidade e segurança do serviço de transporte público. Também perguntou se o município estuda rever a quantidade de linhas atualmente operadas pela Turp e quais avanços concretos já ocorreram no plano de contingência anunciado pela CPTrans. Até a publicação desta matéria, não houve resposta.
A reportagem também procurou a Turp para saber se os pagamentos do vale-alimentação serão regularizados até terça-feira (19), quais medidas estão sendo adotadas para evitar novos problemas operacionais e se a ampliação da operação da empresa afetou o fluxo de caixa da companhia.
Em 2024, a Turp assumiu linhas anteriormente operadas pelas empresas Petro Ita e Cascatinha, tornando-se a maior viação da cidade, com atuação do primeiro ao quinto distrito.
Plano prevê contratos emergenciais e mudanças no sistema
O Plano de Contingência citado pela Prefeitura foi detalhado, novamente, pelo presidente da CPTrans, Luciano Moreira Varrichio, durante audiência especial realizada no processo judicial que discute o reajuste da tarifa do transporte público, no dia 27 de abril. Segundo ele, o planejamento possui cinco fases “concomitantes” para tentar reorganizar o sistema.
As etapas já são anunciadas desde junho de 2025 e alguns prazos já estão vencidos. É o caso, por exemplo, da bilhetagem eletrônica, prevista para passar ao controle da Prefeitura no final do ano passado. Também é previsto para o primeiro semestre de 2026 o lançamento dos editais de licitação necessários, mas, até o momento, o município ainda não informou se será possível cumprir este prazo.
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Na audiência, Varrichio afirmou que a primeira etapa prevê a resolução de contratos emergenciais e processos licitatórios para garantir “segurança jurídica” às futuras ações no transporte público. A segunda fase inclui a implantação da bilhetagem eletrônica municipal, auditorias tarifárias e um portal de dados abertos do sistema.
A terceira etapa prevê investimentos para renovação da frota, redesenho das linhas e redução de sobreposição de itinerários. Segundo a CPTrans, o município buscou, em dezembro de 2025, recursos federais de R$ 150 milhões para renovação da frota do transporte coletivo.
Já a quarta fase prevê melhorias na infraestrutura urbana ligada ao transporte, como áreas de integração, abrigos padronizados, acessibilidade, monitoramento por câmeras e sistemas de georreferenciamento. A quinta etapa seria voltada à reformulação do arcabouço legal e tarifário do setor.
Apesar da apresentação do planejamento, a Prefeitura ainda não detalhou quais dessas medidas já saíram do papel nem apresentou novo cronograma para implementação.
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Fonte Tribuna de Petrópolis


